Estado intensifica ações de combate à Sífilis com testagem e tratamento

23 de outubro de 2021 Off Por Roberta Vilanova

O mês de outubro já consolidou a campanha “Outubro Rosa”, que busca conscientizar sobre a prevenção ao câncer de mama. No entanto, outra campanha que também é realizada neste mês merece a atenção de toda a sociedade: o “Outubro Verde”, que trata do combate à sífilis e à sífilis congênita. Dentre as ações do governo do Estado voltadas ao enfrentamento da doença, estão a conscientização, testagem gratuita e tratamento.

A Sífilis é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) curável e exclusiva do ser humano, causada pela bactéria Treponema pallidum. Pode apresentar várias manifestações clínicas e diferentes estágios (sífilis primária, secundária, latente e terciária). Nos estágios primário e secundário, a possibilidade de transmissão é maior. A sífilis pode ser transmitida por relação sexual sem camisinha com uma pessoa infectada, ou ser transmitida para a criança durante a gestação ou parto (congênita).

Segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), em 2020 foram registrados 2.351 casos de sífilis adquirida, 2.427 casos em gestantes e 980 casos de sífilis congênita no Pará. Em 2021, até o mês de setembro foram notificados 2.149 casos de sífilis adquirida, 2.079 casos em gestantes e 853 casos de sífilis congênita. Esses dados mostram uma discreta redução dos casos notificados, seguindo a tendência prevista no boletim epidemiológico de Sífilis do Ministério da Saúde para a Região Norte do País.

O maior número de casos de sífilis adquirida, no período de 2018 a 2020, concentrou-se na faixa etária de 20 a 34 anos, com média de 45% dos casos, seguindo a tendência nacional. Quanto à distribuição dos casos notificados por sexo, 4.545 casos (58%) ocorreram em homens e 3.300 casos (42%) em mulheres.

Prevenção, diagnóstico e tratamento – Dentre as formas de prevenir a doença estão o uso correto e regular de preservativos masculinos ou femininos, o acompanhamento durante a gestação e a testagem regular.

A Sífilis não confere imunidade permanente. Mesmo após realizar o tratamento adequado, caso entre em contato com o agente etiológico novamente, a pessoa volta a se contaminar.

O teste rápido para Sífilis está disponível de forma gratuita nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA)/Serviço de Atendimento Especializado (SAE) e em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs), inclusive na zona rural.

O tratamento eficaz disponibilizado é à base de benzilpenicilina, medicamento de primeira escolha. “O governo do Estado, por meio da Coordenação Estadual de IST/Aids/DCDT/DVS, tem o papel de articulador das políticas nacionais de monitoramento epidemiológico e avaliação, visando à melhoria da qualidade de vida da população, e atuando junto aos municípios, os quais são os executores dessas políticas”, explicou Charliana Aragão Damasceno, farmacêutica-bioquímica da Coordenação Estadual de IST/AIDS e responsável pelo Programa de Sífilis.

Ações de combate realizadas pelo Governo do Pará:

– Capacitações dos profissionais de saúde da Atenção Básica, Maternidades, CTA/SAE dos municípios que compõem os 13 Centros Regionais de Saúde, quanto às atualizações dos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis (PCDT), o qual tem atualizações periódicas.

– Treinamento das equipes de saúde dos municípios na realização adequada do teste rápido para Sífilis, bem como o acolhimento humanizado pré-testagem e aconselhamento do paciente pós-testagem;

– Oficinas sobre o manejo clínico da Sífilis materno-fetal, usando metodologias ativas com casos concretos, tanto para os profissionais da Atenção Básica quanto das maternidades dos municípios, desenvolvendo o senso analítico-reflexivo para melhor condução e resolução do caso, baseado nas atualizações do PCDT;

– Capacitação quanto à importância da notificação, sensibilizando os municípios quanto aos seus indicadores epidemiológicos da doença, e mostrando os aspectos observados nestas notificações.

– De março a junho de 2021, o Plano de Ação para Controle e Eliminação da Sífilis Congênita no Pará, elegendo cinco municípios (Abaetetuba, Cametá, Castanhal, Tucuruí e São Félix do Xingu), com taxa da doença menor que cinco casos por 1000 nascidos vivos, com o objetivo de trabalhar indicadores, capacitar equipes, detectar vieses e articular adequação com as equipes de saúde locais para alcançar a certificação de eliminação da transmissão vertical. Neste período foram capacitados 222 enfermeiros, 50 médicos, nove farmacêuticos, três biomédicos, dois assistentes sociais e 840 agentes comunitários de Saúde.

– Distribuição de teste rápido para a rede de atenção à saúde do Estado, objetivando a detecção precoce e oportuna;

– Distribuição da benzilpenicilina para rede atenção à saúde estadual, objetivando o manejo clínico/;tratamento adequado do caso;

– Participação no Programa Territórios pela Paz (TerPaz), levando a testagem rápida de Sífilis, além do HIV e hepatites virais, e encaminhando para a rede de atenção em saúde para realizar tratamento e monitoramento.

Problema mundial – O terceiro sábado do mês de outubro é dedicado ao combate da Sífilis. Ações são realizadas para lembrar a sociedade que a doença é um importante problema de saúde pública mundial, que tem diagnóstico e tratamento eficaz, mas que quando não é diagnosticada e tratada pode causar danos graves, como a neurossífilis e a contaminação do feto pela gestante infectada. Assim, campanhas de educação continuada em saúde no mês alusivo ao combate são de extrema importância, pois reforçam a importância epidemiológica desta infecção, estimulam a testagem rápida e a prática do sexo seguro com o uso de camisinha.

“É uma estratégia que deve ser adotada pelos municípios, como ação extramuros das Unidades Básicas de Saúde para alcançar diversos grupos sociais, sensibilizando e informando”, reforçou Charliana Aragão Damasceno.

Texto: Carol Menezes/Secom