Abelardo Santos conta com farmácia clínica para estimular o uso correto de medicamentos após a alta

Abelardo Santos conta com farmácia clínica para estimular o uso correto de medicamentos após a alta

21 de novembro de 2021 Off Por Roberta Vilanova

A integração do profissional farmacêutico com a equipe multiprofissional traz ganhos aos pacientes

Mais um serviço do Governo do Estado do Pará com o objetivo de melhorar a qualidade de vida de pacientes após a alta médica é oferecido como um diferencial no Hospital Regional Dr. Abelardo Santos (HRAS), em Icoaraci, no distrito de Belém. A Farmácia Clínica tem a proposta de prevenir a automedicação, além de informar sobre a importância do uso correto dos medicamentos fora do ambiente hospitalar.

No programa, os farmacêuticos do Abelardo Santos, o maior hospital público do estado, se tornam parte do acolhimento multiprofissional, junto à assistência social, fonoaudiologia, psicologia, nutricionista, a enfermagem e dos médicos. Com esta adesão, os profissionais da farmácia percorrem os leitos clínicos da unidade fazendo orientação aos pacientes e aos seus familiares, quanto à forma correta na administração destes remédios.

A coordenadora farmacêutica do HRAS, Telma Araújo, explicou que a integração do profissional farmacêutico com a equipe multiprofissional traz ganhos aos pacientes. “Nossa assistência à saúde tem o cuidado centrado no paciente. Isso quer dizer que: englobamos em nossos atendimentos a humanização e a segurança para o nosso paciente”, observa a gestora.

Telma ressalta os benefícios do sistema usado na instituição. “Com a farmácia clínica, os farmacêuticos orientam pessoalmente, na beira do leito, de forma clara e simples, as informações corretas do uso de cada medicação contida na receita médica. Além disso, este profissional irá esclarecer possíveis dúvidas que os usuários possam ter quando horários e quantidade, por exemplo”, destacou a coordenadora.

Satisfação – Às vésperas de completar um mês de internação, a paciente Marina Ambe, de 73 anos, recebeu a sua alta médica após ter tratado um processo infeccioso da pele, provocado por uma erisipela na perna esquerda. Ela retornou para casa, em Icoaraci, com todas as informações sobre os medicamentos prescritos pelo médico.

“As informações que recebi da farmacêutica foram muito boas, eu e minha neta não sabíamos que tem alguns remédios que precisam ser tomados em horários separados, acabávamos tomando tudo junto. Agora eu já sei e não vou fazer mais”, enfatizou Marina.

Projeto – Neste projeto, são duas farmacêuticas atuando no momento da alta do paciente todos os dias, nos leitos clínicos do oitavo e nono andar da unidade. Os profissionais orientam, além do uso dos remédios que foram prescritos, a forma de consegui-los gratuitamente, se estes estiverem dentro dos programas do Sistema Único de Saúde (SUS).

Para a farmacêutica Luiza Graim, a iniciativa reforça a importância do uso racional dos medicamentos, para que o paciente possa prosseguir com o seu tratamento mesmo fora do hospital e, ainda, obter resultados satisfatórios da terapia. “Nosso trabalho é também um alerta para os perigos que automedicação pode causar como intoxicação, reações alérgicas, dependência e até a morte”, disse.

A especialista fala sobre a satisfação que percebe ao paciente ser orientado. “Estamos felizes com a adesão dos pacientes nesse início de projeto, com a recepção da nossa chegada. Fazemos questão de reforçar as orientações relacionadas a forma de administrar a medicação, forma de acondicionamento, horário e período do tratamento medicamentoso, na frente dos acompanhantes também, e observamos se tudo foi compreendido para que as informações não se percam”, detalhou.

Iniciativa – O diretor médico do Abelardo Santos, Paulo Henrique Ataíde, fala sobre a eficácia deste trabalho para a conclusão do tratamento do paciente. “Por mais que o médico passe com a alta e oriente o uso da medicação, a participação do farmacêutico neste processo é fundamental para o resultado da recuperação total. Prezamos por especialistas com um perfil multidisciplinar, habilidade de comunicação, capacidade de tomar decisões e de interagir com os pacientes, além de possuir conhecimentos aprofundados em fisiologia humana”, descreveu o médico.

Já o diretor executivo do Abelardo Santos, Marcos Silveira, destacou que a farmácia clínica proporciona uma assistência efetiva, direta e humanizada, de maneira que o paciente passa a ser assistido com mais segurança. “Essa é a nossa contribuição para a redução dos índices de automedicação, disseminado informação. O projeto é de fundamental importância para uma unidade que, atualmente, mantém 340 leitos entre clínicos e de UTIs”, afirmou.

O HRAS é um Hospital Público, referência do Governo do Estado em alta complexidade. A instituição é administrada pelo Instituto Mais Saúde em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa).

Normas – Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o uso racional da medicação é quando os pacientes recebem medicamentos apropriados às suas necessidades clínicas, em doses e períodos adequados às particularidades individuais e com baixo custo para eles e sua comunidade. A OMS, ainda destaca que em todo o mundo, 50% dos pacientes tomam medicamentos de forma inadequada e mais de 50% de todos os medicamentos receitados são dispensáveis ou vendidos de forma não adequada.

Texto: Roberta Paraense/HRAS

Foto: Divulgação