Combate ao tabagismo para evitar a DPOC é ainda mais importante durante a pandemia da Covid-19

Combate ao tabagismo para evitar a DPOC é ainda mais importante durante a pandemia da Covid-19

17 de novembro de 2021 Off Por Roberta Vilanova

 DPOC está ligada ao tabagismo

Toda terceira quarta-feira de novembro é considerado o Dia Mundial da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), celebrado neste ano no dia 17 de novembro, movimento organizado pela Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease (Gold) em colaboração com profissionais de saúde e grupos de pacientes com DPOC em todo o mundo. No Pará, esse tratamento e acompanhamento é feito pelo Centro de Referência em Abordagem e Tratamento do Fumante, ligado à Secretaria de Estado de Saúde Pública (Cratf/Sespa).

O objetivo dessa atuação é aumentar a conscientização, compartilhar conhecimentos e discutir maneiras de reduzir a carga da doença em todo o mundo. “Pulmões Saudáveis ​​– Mais Importante do que Nunca” é o tema da campanha de 2021. Este ano ganha destaque o contexto da pandemia global de Covid, e fato de que a DPOC continua sendo uma das principais causas de morte em todo o mundo, e portanto, não há momento mais importante para se concentrar na saúde pulmonar.

A pneumologista e coordenadora do Craft, Fátima Amine, explica que trata-se de uma doença que envolve processos inflamatórios que se arrastam por bastante tempo, e está intimamente ligada ao tabagismo. “Perda da função pulmonar, dispnéia, secreção, além de futuras três ou quatro agudizações, dependendo de como o paciente encara o tratamento”, detalha. No contexto pandêmico, a médica diz que consegue observar pacientes com histórico de fumo enfrentando versões mais graves da infecção pelo novo coronavírus.

O diagnóstico é feito por uma série de exames levando em consideração o histórico clínico: espirometria, tomografia, que junto à avaliação médica leva à conclusão do quadro. “Há também sinais anatômicos, geralmente o paciente está com perda de musculatura da caixa torácica, ou com formato de tonel, emagrecidos, e ali a gente já vê que tem alguma coisa”, relata. Para ter acesso ao Craft, a porta de entrada é a Unidade Básica de Saúde (UBS), que referencia o paciente pulmonar. A Fundação Hospital de Clínicas Gaspar Vianna e p Hospital Regional Abelardo Santos são exemplos de locais onde são feitos os tratamentos.

Cerca de 300 milhões de pessoas têm DPOC atualmente. A doença ainda é a 3ª causa de morte globalmente e muito prevalente, sobretudo em países de baixa e média renda. O cigarro é responsável pela imensa maioria dos casos. A constante exposição a elementos irritantes, como poeira, poluentes do ar e vapores químicos, também pode contribuir para o aparecimento da doença.

A DPOC é uma doença insidiosa de instalação lenta. Geralmente, o primeiro sintoma é uma discreta falta de ar (dispneia) associada a esforços como subir escadas, andar depressa ou praticar atividades esportivas. Com o passar do tempo, a falta de ar vai se tornando mais intensa e aparece por esforços cada vez menores. Nas fases mais avançadas, a falta de ar se manifesta mesmo com o doente em repouso e se agrava muito diante das atividades mais corriqueiras. Tosse produtiva e encurtamento da respiração são sintomas que também podem estar presentes nos quadros de doenças pulmonares obstrutivas.

Parar de fumar é a única forma de impedir o declínio progressivo da função respiratória. Chicletes, adesivos de nicotina e drogas antidepressivas associados a terapias comportamentais são de grande utilidade para o tratamento da dependência de nicotina nos portadores de DPOC.

Diversos estudos demonstraram que, nos casos mais graves, o único tratamento médico capaz de aumentar a sobrevida das pessoas com a doença é a oxigenioterapia. Técnicas fisioterápicas de reabilitação respiratória aumentam a resistência aos esforços e melhoram a qualidade de vida, mas não prolongam a sobrevida, já que trata-se de uma doença irreversível. “A própria Covid não deixa de ser um processo inflamatório agudo, e muitos fumantes pagaram com a vida”, lamenta Fátima.

Texto: Carol Menezes/Secom
Foto: Pixabay