Prontuário Afetivo aprimora atendimento humanizado em hospitais públicos no Pará

Prontuário Afetivo aprimora atendimento humanizado em hospitais públicos no Pará

27 de julho de 2021 Off Por Roberta Vilanova

A mãe de João Miguel, Antônia Leitão escreveu as primeiras percepções sobre o filho em tratamento no Materno-Infantil Barcarena

Música, artista e comida que mais gosta, esporte favorito e time do coração: essas são algumas das informações que ajudam a contar um pouco mais da história de cada paciente em tratamento em hospitais públicos no Pará. As respostas ajudam a compor o “Prontuário Afetivo”, ferramenta implantada em unidades de saúde, como o Hospital Materno-Infantil de Barcarena (HMIB), na mesorregião Metropolitana de Belém; no Regional do Sudeste do Pará (HRSP), em Marabá; no Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), na Região Metropolitana de Belém, além do Hospital de Campanha do Hangar, na capital paraense.

O projeto piloto estava sendo testado desde o início de 2021, com os resultados positivos, a ação foi oficializada nos hospitais durante este mês de julho. Os hospitais integram a rede pública do Pará, gerenciados pela entidade filantrópica Pró-Saúde, por meio de contrato de gestão com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa).

A iniciativa, que complementa as ações de humanização nas unidades hospitalares, busca, ainda, amenizar o difícil período de internação, estabelecer vínculos, facilitar a comunicação e fortalecer a autoestima dos pacientes.

“O projeto é simples e tem um grande impacto para o paciente, principalmente para quem está sedado ou saindo de uma sedação. Chamá-lo pelo apelido ou colocar uma música que a pessoa gosta estimula áreas do cérebro e cria um ambiente de acolhimento”, ressaltou Valdejane Barros, assistente social do Regional Público do Sudeste do Pará.

Internado há 35 dias no Hospital Metropolitano, o paciente Evandro da Silva, de 37 anos, disse que ficou surpreso com a ideia. “Estava deitado e ouvi dizerem meu nome e que ‘o nosso leão ganhou’. Era o enfermeiro comemorando a vitória do meu time, o Remo”, contou o paciente.

No Hospital Materno-Infantil de Barcarena o prontuário possui uma abordagem diferente: fortalecer o vínculo de uma mãe com o filho internado na unidade. No prontuário são escritas as primeiras percepções que as mães têm dos filhos, que podem passar meses em tratamento ou ganhando peso na unidade.

Antônia Aurilene Leitão, mãe de João Miguel, descreveu a experiência dela com o projeto. “João gosta de receber carinho, foi minha primeira percepção. Coloquei o nome dos irmãos também para lembrar que não estamos sós”, disse sorridente.

“Ele tem dois apelidos, um meu e outro que a cidade deu. Lá, todos estão torcendo por ele. É tão bom receber esse cuidado, o João foi acolhido e vai ter alta levando muito amor”, completou Antônia Aurilene Leitão.

Segundo Danielle Dias, psicóloga da Pró-Saúde e com atuação no Materno-Infantil de Barcarena, o “Prontuário Afetivo” beneficia tanto os pacientes como familiares e profissionais dos hospitais.

“Nosso maior objetivo é aproximar ainda mais os pacientes e a equipe multiprofissional, gerando um ambiente de personalização do atendimento, trazendo memórias positivas, o que ajuda e muito no tratamento”, completa a profissional.

Elizabeth Cabeça, responsável pelo setor de Humanização do Hospital de Campanha do Hangar, também destaca a importância do projeto. “O foco de todos os profissionais que estão aqui dentro é restaurar a saúde desses pacientes. Entendemos que, nesse caminho, inserir a humanização é o processo que está mais alinhado com o melhor tratamento, a fim de não automatizar esse cuidado e preservar a sensibilidade”, afirma.

Para o secretário de Saúde do Pará, Rômulo Rodovalho, a iniciativa dos hospitais na adoção do prontuário afetivo proporciona mais humanização nos ambientes, visto que a maioria dos profissionais não conhece a história de vida de seus pacientes, não sabe do que eles gostam, seus hobbies, profissão, hábitos. “Nesse sentido, o objetivo é mostrar que estão zelando e cuidando daquele paciente que é marido, esposa, a avó, enfim, o amor de alguém que está lá fora na expectativa da alta hospitalar”, comenta.

Texto: Diego Monteiro/HMUE

Foto: Divulgação