Sespa capacita técnicos para identificação de vetores da doença de Chagas

Sespa capacita técnicos para identificação de vetores da doença de Chagas

29 de junho de 2021 Off Por Roberta Vilanova

Cláudia Mendonça e Rafaella Silva iniciam o curso no auditório do Lacen-PA

Começou nesta segunda-feira (28), no Laboratório Central do Estado (Lacen-PA), o Curso de Taxonomia e Parasitologia de Doença de Chagas, realizado pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), por meio da Coordenação Estadual de Entomologia do Departamento de Controle de Endemias.

Com duração de duas semanas, o curso conta com a participação de dez técnicos indicados pelo 2º, 6º, 7º, 8º e 10º Centros Regionais de Saúde (CRSs) e pelos Municípios de Belém e São Domingos do Capim e São Sebastião da Boa Vista, e está sendo ministrado pela veterinária e técnica do Grupo Técnico de Entomologia do Ministério da Saúde, Rafaella Silva, pela bióloga da Secretaria de Saúde do Estado do Ceará, Cláudia Mendonça, e pelos biólogos Jader de Oliveira (CE) e Relrison Dias (SP).

Bárbara Almeida, coordenadora estadual de Entomologia

Segundo a coordenadora estadual de Entomologia, Bárbara Almeida, o objetivo do curso é descentralizar o Serviço de Entomologia, concentrado no Nível Central da Sespa. “A nossa expectativa é que com o curso os técnicos sejam capazes de identificar os barbeiros e depois a analisar a infectividade, ou seja, saber se eles estão infectados pelo Trypanossoma cruzi. Esses técnicos serão multiplicadores de conhecimento e executores na sua Regional ou município onde atuam”, informou.

Descentralização – Atualmente, uma das orientações da Sespa é que cada município comece a tomar para si a responsabilidade de fazer a captura desses vetores, identificá-los e analisar a infectividade. “Esse serviço precisa estar estruturado no próprio município enquanto o Estado entra com assessoria, apoio e capacitação que é o que estamos fazendo agora. Uma das prerrogativas da Entomologia Estadual é fazer essa descentralização porque atualmente é muito raro encontrar uma equipe de entomologia municipal”, justificou.

A taxonomia é a área da Biologia dedicada à organização e classificação dos seres vivos, neste caso, da identificação dos vetores, ou seja, dos barbeiros, para saber quais estão incriminados na transmissão da doença no Estado. E a Parasitologia é a ciência que estuda os parasitas, os seus hospedeiros e relações entre eles.

Bárbara Almeida disse que existem alguns insetos que são parecidos com os barbeiros que acabam confundindo a população. Por isso é importante identificá-los e analisá-los. “Esse trabalho compete ao Laboratório de Entomologia, que trabalha com os vetores transmissores das doenças endêmicas como doença de Chagas, dengue, malária, leishmaniose entre outras. Enquanto os laboratórios de revisão atuam no diagnóstico desses agravos para que o paciente saiba que doença tem e possa iniciar o seu tratamento”, esclareceu.

O curso está sendo realizado no Lacen-PA

Estratégia passiva – Outro objetivo da atual gestão da Entomologia é incrementar a estratégia do Posto de Informação de Triatomíneos (PITs), fazendo-os funcionar de forma efetiva. PIT é o local onde a população entrega os supostos barbeiros que são encontrados dentro de suas casas. É uma estratégia de vigilância passiva porque conta com a participação da comunidade. “É muito mais fácil pegar esse vetor que está dentro da sua casa e levar ao PIT do que aguardar as ações da vigilância ativa que é quando a equipe da Entomologia vai até a casa da pessoa capturar os vetores para análise, já que os barbeiros têm o hábito de se esconder, portanto os moradores têm mais facilidade de achá-los do que os técnicos”, detalhou Bárbara de Almeida.

Ela disse que alguns PITs têm boa produtividade e enviam amostras consideráveis de barbeiros, mas há outros que ainda precisam melhorar o seu trabalho. “Nossa intenção é incentivá-los a melhorar. Um PIT de referência, na minha opinião, é o do município de Abaetetuba porque manda com frequência os vetores”, observou.

Bárbara Almeida ressaltou, ainda, que os agentes comunitários de saúde (ACSs) podem contribuir bastante com os PITs porque visitam as famílias e podem tomar conhecimento de situações de infestação de barbeiros muito antes da Vigilância. “Portanto há uma parceria entre a Vigilância em Saúde e a Atenção Básica no combate à doença de Chagas”, afirmou.

Cláudia Mendonça, Rafaella Silva, Bárbara Almeida, Adriana Tapajós, Alberto Júnior e Valnete Andrade na abertura do curso

Abertura – No momento da abertura no auditório, o diretor do Lacen-PA, Alberto Júnior, ao lado da vice-diretora, Valnete Andrade, disse que espera que os participantes aproveitem bem a oportunidade para aprenderem e aprimorarem conhecimentos. “O Laboratório Central estará sempre de portas abertas com sua estrutura para cursos e treinamentos dessa natureza”, enfatizou.

Adriana Tapajós, diretora do Departamento de Controle de Endemias

A diretora do Departamento de Controle de Endemias, Adriana Tapajós, deu boas-vindas aos participantes e agradeceu aos CRSs e municípios pelo esforço em proporcionar a vinda dos técnicos para duas semanas de curso em Belém.

Ela lembrou que o Pará é responsável por 95% dos casos de doença de Chagas do Brasil. “Apesar da transmissão oral da doença de Chagas estar muito presente no estado, é fundamental o fortalecimento das ações de identificação de vetores porque barbeiros também têm sido encontrados no interior das residências em várias regiões do Pará”, alertou.

Tarcísio Lobato, biólogo do 6º Centro Regional de Saúde

O técnico do 6º CRS (Barcarena), Tarcísio Lobato, que é biólogo recém-formado, aproveitou a oportunidade oferecida por seu diretor para participar do curso e fortalecer o serviço de entomologia na região. “Espero aprender muito e contribuir com a atividade nos municípios de nossa abrangência”, afirmou, ao lado do colega biomédico Artur da Cunha, que é coordenador de Entomologia do 6º CRS e também veio atualizar conhecimentos na área.

Texto: Roberta Vilanova/Sespa
Fotos: José Pantoja/Sespa