Sespa realiza encontro para capacitar profissionais sobre fluxo de tratamento da tuberculose

Sespa realiza encontro para capacitar profissionais sobre fluxo de tratamento da tuberculose

16 de novembro de 2021 Off Por Mozart Lira

Fotos de José Pantoja (Ascom/Sespa)

A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) iniciou nesta terça-feira, 16, o Encontro Estadual de Programação e Avaliação das Ações de Controle da Tuberculose. Com três dias de duração, a atividade tem o objetivo de capacitar os coordenadores regionais dos programas de controle da doença e representantes de instituições parceiras para a elaboração do Plano Estadual para Eliminação da Tuberculose no Pará até 2035.

Durante a abertura das atividades, o secretário de Estado de Saúde Pública, Romulo Rodovalho, destacou que o encontro é uma forma de lembrar os profissionais e a comunidade em geral que a doença continua persistente e fazendo vítimas, sobretudo as que abandonam o tratamento gratuito oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) pelo meio do caminho. “Costumo dizer que a responsabilidade do tratamento deve ser compartilhada por paciente, trabalhadores de saúde, família e amigos. Todos têm o dever de incentivar”, afirmou.

Também na ocasião, o secretário adjunto de Políticas de Saúde da Sespa, Sipriano Ferraz, destacou a importância da capacitação. “Esses encontros são fundamentais para a troca de experiência entre os participantes e especialistas, além de gerar um debate sobre a doença e o aprimoramento do profissional quanto à abordagem e ao acolhimento do paciente, para que o tratamento seja realizado de forma correta”, frisou.

O coordenador do Programa Estadual de Combate à Tuberculose, Cleison Martins, lembra que o Programa de Controle da doença está implantado nos 144 municípios do Estado, com ações voltadas para o diagnóstico, acompanhamento e tratamento dos casos.

Segundo dados apresentados por ele, foram 4.822 casos registrados em 2019, seguido de outros 4.292 novos casos de tuberculose no ano passado, perfazendo uma média de 49,3 casos novos para cada 100.000 habitantes. Atualmente, 60% dos registros notificados estão concentrados nas regiões Metropolitana I, II e III.

“No ano passado, por conta do auge da pandemia de Covid-19, tanto o diagnóstico quanto o tratamento da tuberculose foram prejudicados, uma vez que a pandemia limitou de alguma forma o acesso das pessoas aos serviços de saúde, assim como o trabalho de campo dos profissionais de saúde e de suas atividades voltadas para o controle da doença, a exemplo da busca ativa de casos novos, provocando uma queda de 15 a 20% no número de casos novos diagnosticado aqui na América. Futuramente poderemos evidenciar um aumento no número de casos, de pessoas infectadas e de óbitos por tuberculose”, explica.

O coordenador também destacou que, em 2019, o Pará apresentou um percentual de cura de casos novos na ordem de 70,2% e 9,4% de abandono do tratamento. Quanto aos óbitos, de 2015 a 2020 foram registradas 1.138 perdas para a doença, com uma média de 230 mortes por ano. Em 2019, foram 255 óbitos pela doença, seguidos de mais 246 no ano passado.

O principal sintoma da tuberculose é a tosse insistente por mais de três semanas, com ou sem catarro. Qualquer pessoa com esse sintoma deve procurar uma unidade de saúde para fazer o diagnóstico. A doença tem cura e o tratamento é disponibilizado integralmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) nas Unidades Básicas de Saúde, geridas pelas prefeituras.

No que se refere ao combate da doença no Pará, a Sespa capacita profissionais, a exemplo da atividade iniciada nesta terça-feira, 16, e presta assessoria técnica aos municípios, que por sua vez são responsáveis pela execução das ações no corpo a corpo com a população. Já a Atenção Básica tem objetivo de consolidar as ações do Programa Nacional de Controle da Tuberculose, oferecendo o tratamento nas unidades de saúde, incluindo a estratégia do Programa Saúde da Família (PSF) e Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS).

Entre as medidas de prevenção da tuberculose é importante a vacinação de todas as crianças de 0 a 4 anos com a BCG, pois essa estratégia evita as formas graves da doença. “Orientar que todas as pessoas ao tossir ou espirrar protejam a boca com um lenço, que evitem lugares fechados e aglomerados e que mantenham os ambientes bem ventilados e iluminados, além do uso de máscaras N95/PFF2, estão entre as boas práticas da prevenção”, alerta Cleison.

O Estado, por meio do Programa para Controle da Tuberculose juntamente com o Ministério da Saúde, trabalha constantemente através de monitoramento dos programas municipais, disponibilizando medicamentos para o tratamento da doença, incentivando a busca ativa de novos casos, a investigação dos contatos dos portadores da tuberculose, o diagnóstico e tratamento da doença tempo oportuno, ofertando oficinas voltadas para manejo e controle da doença, visando assim quebrar a cadeia de transmissão da doença, reduzir o número de adoecimento e óbitos por uma doença que é prevenível e curável.

Com a atividade realizada na Sespa, os profissionais participantes ainda terão acesso aos conteúdos técnicos de relevância ao controle da doença e estratégias para fortalecimento do diagnóstico laboratorial, com o objetivo de qualificar as informações sobre o agente causador da doença, monitorar a evolução do tratamento e documentar a cura. Também participam da atividade as referências de tuberculose (Hospital Universitário João de Barros Barreto – HUJBB e URE Ismael Araújo), Laboratório Central do Estado (Lacen), Secretaria de Estado de Assistência Penitenciária (Seap), Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dseis) e Comitê Estadual de Tuberculose.