Terapia ocupacional devolve autonomia a pacientes no Hospital Galileu
21/05/2026Pacientes em recuperação de traumas ortopédicos reaprendem movimentos essenciais do cotidiano e mantêm a esperança de voltar à independência
Passar a mão no cabelo, vestir uma roupa, lavar louça ou simplesmente conseguir erguer o braço. Para muitas pessoas, os gestos automáticos da rotina passam despercebidos. Mas, após um trauma ortopédico, eles podem se transformar em verdadeiros desafios — e, quando retomados, em grandes vitórias.

A aposentada Nezita Santos de Lima, de 66 anos, moradora do bairro do Guamá, em Belém, Foto: Ascom/HPEG
A aposentada Nezita Santos de Lima, de 66 anos, moradora do bairro do Guamá, em Belém, conhece bem esse processo. Há dois anos em tratamento no Hospital Público Estadual Galileu (HPEG), na Grande Belém, ela aprendeu, aos poucos, a recuperar os movimentos do braço após sofrer uma queda dentro de casa, que resultou em uma fratura de olécrano.
A mudança na rotina foi imediata. Morando sozinha, Nezita precisou enfrentar limitações que afetaram diretamente sua autonomia. “Foi difícil movimentar o braço livremente e fazer as coisas do dia a dia, porque moro só”, relembra.
Apesar das dificuldades, desistir nunca foi uma opção. Em meio ao tratamento, pequenos avanços passaram a representar grandes conquistas. “Consegui, no início, levantar o braço devagarinho, esticar o cotovelo e passar a mão na cabeça. Além de outros movimentos que fui conseguindo fazer aos poucos”, conta.
Cada novo movimento recuperado tinha um significado que ia além da melhora física. “Foi uma vitória”, resume. Com o acompanhamento da equipe multiprofissional do Hospital Galileu, Nezita ganhou confiança, reaprendeu movimentos e retomou, gradualmente, atividades básicas do cotidiano. “Me ajudaram ensinando os exercícios, movimentando meu braço e treinando o que é possível fazer no cotidiano”, afirma.
Hoje, tarefas antes consideradas impossíveis voltaram a fazer parte da sua rotina. “Já consigo fazer minhas coisas devagar, ser independente e não depender de ninguém. Consigo lavar roupa, me cuidar e cuidar da casa”, diz.
Terapia – A história de Nezita reflete a realidade de muitos pacientes atendidos no Hospital Galileu, referência em trauma ortopédico. Na unidade, a terapia ocupacional tem papel decisivo na recuperação funcional de pessoas que sofreram fraturas, rupturas ligamentares e lesões neurotendíneas, especialmente em membros superiores.
Mensalmente, o serviço realiza entre 130 e 150 atendimentos a pacientes internados, acompanhando-os desde a admissão hospitalar até a alta, com foco na retomada da autonomia e das atividades de vida diária.
Segundo o terapeuta ocupacional Helder Clay Fares, o trabalho vai muito além da recuperação dos movimentos. “São empregados na reabilitação o treino das atividades de vida diária afetadas pela lesão, assim como a orientação e o treinamento para os cuidados pessoais e com os dispositivos que possam vir a ser utilizados no processo. Além disso, buscamos estimular competências e habilidades próprias do desempenho ocupacional”, explica.
No ambiente hospitalar, o trabalho ocorre de forma integrada com outras especialidades, sobretudo a fisioterapia, contribuindo inclusive para a preparação de pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos. “A terapia ocupacional contribui na preparação do paciente para procedimentos cirúrgicos, reduzindo algumas condições clínicas desfavoráveis, como edema, encurtamentos e redução de força muscular, além de atuar de forma conjunta com a fisioterapia para a melhora dos padrões funcionais essenciais ao retorno do pleno desempenho ocupacional”, destaca Helder.
Embora o tempo de recuperação varie de acordo com a gravidade e o tipo da lesão, os resultados costumam surgir com constância e frequência nos atendimentos. “Conseguimos bons resultados a partir de, pelo menos, cinco dias de acompanhamento frequente”, ressalta.
Entre os principais ganhos observados estão a melhora da amplitude dos movimentos, da destreza manual e das habilidades motoras e sensoriais — fatores essenciais para que pacientes possam retomar atividades simples, mas fundamentais para a independência dentro e fora do ambiente hospitalar.
No Hospital Galileu, histórias como a de Nezita mostram que reabilitar também significa devolver autonomia, autoestima e esperança — uma conquista construída movimento por movimento.
Cuidado multi – A diretora executiva do Hospital Galileu, Paula Narjara, destaca que o cuidado ofertado aos pacientes vai além da assistência clínica, envolvendo uma atuação integrada entre diferentes especialidades para garantir uma recuperação mais segura e humanizada.
“A assistência no Hospital Galileu é construída de forma multidisciplinar, com equipes que atuam de maneira integrada para oferecer um cuidado completo ao paciente. A terapia ocupacional tem papel essencial nesse processo, porque ajuda a devolver autonomia, funcionalidade e qualidade de vida às pessoas que enfrentam um trauma ortopédico. Nosso compromisso, enquanto unidade do Governo do Estado, é promover uma recuperação cada vez mais humanizada e centrada nas necessidades de cada paciente”, afirma.
Texto: Ascom/HPEG


