Conferência sobre doença de Chagas é realizada em Castanhal

Conferência sobre doença de Chagas é realizada em Castanhal

30 de agosto de 2021 Off Por Mozart Lira

Aconteceu nesta segunda-feira (30), em Castanhal, a primeira Conferência de Doença de Chagas, realizada por meio de uma iniciativa do 3º Centro Regional da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa).

Com o objetivo de aumentar a conscientização entre profissionais de saúde e acadêmicos sobre a doença de Chagas, o encontro serviu também para a criação de um fórum regional para debater medidas para prevenir, detectar e tratar a enfermidade, bem como interromper a cadeia de transmissão, sobretudo nos municípios de abrangência do 3º CRS.

Segundo a diretora de Vigilância em Saúde do 3º CRS, Patrícia Bittencourt, o fórum contará ainda com a participação de representantes da Universidade Federal do Pará (UFPA), Associação Brasileira de Cardiologia, Instituto Evandro Chagas (IEC) e dos Hospitais São José e Francisco Magalhães, ambos sediados em Castanhal. 

“A intenção é que esse Fórum faça reuniões a cada dois meses pra propormos soluções para a região. Como a conferência teve bastante representatividade dos municípios, a expectativa em torno dos debates é bem promissora”, explica Patrícia, que estará na coordenação das discussões com o diretor do 3º CRS, Nélio Amorim, e o técnico Luiz Vieira.

Apesar de o Pará ainda ser responsável por 80,95% dos casos de doença de Chagas no Brasil, o número de casos confirmados dessa endemia também vem caindo no Estado. Foram 68 casos confirmados de janeiro a julho de 2021 contra 100 casos confirmados no mesmo período de 2020, alcançando uma redução de 32%. Os municípios com mais casos são Bagre (13), Barcarena e Cametá (07), Oeiras do Pará (06) e Curralinho e Igarapé-Miri (05).

Segundo o coordenador estadual de Doença de Chagas, Éder Amaral, 82,35% dos casos têm sido registrados na zona rural, a maioria da contaminação (62,50%) tem ocorrido dentro de casa e o principal modo de infecção é a oral (84,58%). “A transmissão ocorre por inúmeros alimentos contaminados com o trypanosoma cruzi, transmitido pelas fezes do inseto barbeiro, entretanto o açaí e a bacaba estão entre os mais envolvidos devido ao consumo rotineiro e sem controle de higiene e cuidados no momento do processamento”, explicou. “E graças às notificações em tempo hábil, mais de 90% dos casos confirmados tem evoluído para a cura da doença”, enfatizou o coordenador.

As principais medidas de prevenção e controle da doença de Chagas desenvolvidas pela Sespa são monitoramento e supervisão de campo nos municípios mais vulneráveis para avaliação dos casos notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan); ajuste de fluxo para atendimento dos casos suspeitos e confirmados; reuniões técnicas on-line para orientação e discussão dos surtos; webconferências com os coordenadores dos CRSs e representantes da Vigilância Epidemiológica, interpretação do diagnostico laboratorial fluxo de abastecimento da medicação para o tratamento especifico e a importância da completitude das notificações na investigação dos casos.

“Também produzimos materiais técnicos e educativos em formato digital para divulgação da situação epidemiológica, medidas de controle e prevenção”, acrescentou Éder Amaral.

Além dele, atuaram na Conferência realizada em Castanhal, que contou ainda com a participação da diretora de Endemias da Sespa, Adriana Tapajós; da responsável pelo controle em doença de chagas na região, Socorro Portela; da médica cardiologista Dilma Souza, do Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUHBB); da médica veterinária Alessandra Scofield, da Universidade Federal do Pará (UFPA), além de representantes do 3º CRS.

Da Conferência também participaram profissionais de saúde e acadêmicos oriundos de municípios abrangidos pelo 3º CRS, como Castanhal, Curuçá, Igarapé Açu, Inhangapi, Magalhães Barata, Maracanã, São Domingos do Capim, São Francisco do Pará, São João da Ponta e Terra Alta.

“Apesar da transmissão oral da doença de Chagas estar muito presente no estado, é fundamental o fortalecimento das ações de identificação de vetores porque barbeiros também têm sido encontrados no interior das residências em várias regiões do Pará”, alertou Eder.