Moradores de Ananindeua recebem serviços de cidadania e saúde durante dois dias

Indígenas da etnia Warao também foram atendidos com a ajuda da assistente social Jéssica Souza

O Programa Ação Cidadania concluiu nesta sexta-feira (25) dois dias de atendimentos gratuitos à população do município de Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém. Centenas de pessoas foram atendidas com vários serviços de saúde, assistência e cidadania. Foram emitidas e entregues 500 carteiras de identidade – 250 a cada dia.

A primeira-dama Daniela Barbalho, que acompanhou a programação, destacou a importância dos serviços itinerantes, que garantem o acesso da população a documentos e outros serviços essenciais na Região Metropolitana de Belém e no interior do Estado.

“A gente sabe que com a pandemia as dificuldades aumentaram. Muitos lugares estiveram fechados para a emissão de documentos, e é por isso que a Fundação ParáPaz percorre pelos municípios e bairros, facilitando esse acesso. A gente sabe da demanda, e vamos voltar com ainda mais emissões de RG”, informou.

Moradora do bairro do Curuçambá, Érica Pinheiro, 36 anos, disse que precisava com urgência do cartão do SUS (Sistema Único de Saúde) para ser atendida em consulta odontológica, marcada para a próxima semana. Ela foi à Escola Hildegarda de Miranda, local do segundo dia da ação, em busca da 2ª via do cartão, no âmbito do Projeto Balcão da Juventude.

“Fui no dentista sem o cartão e não consegui me consultar. Marquei a nova consulta contando que ia conseguir tirar hoje, e deu tudo certo. Aproveitei e fiz logo dos meus filhos. A gente fica deixando pra depois e nunca faz, mas aqui foi muito bom porque foi muito rápido”, disse Érica, que ainda voltou para casa com nova identidade. “A minha já estava muito antiga, com a foto borrada, e não tinha dinheiro pra fazer outra. Aqui consegui fazer tudo sem pagar nada”, complementou.

Saúde – Consultas em clínica geral, pediatria e ginecologia também foram oferecidas gratuitamente na programação, que começou às 8 h. Dezesseis indígenas da etnia venezuelana Warao, que vivem próximo à Escola, foram atendidos por especialistas com a ajuda da assistente social Jéssica Sousa, do Centro de Referência em Assistência Social (Cras) Curuçambá.

“Eles estavam precisando dessa consulta porque alguns estão com sintomas de gripe. Como atendo eles no Cras, eu sempre acompanho quando eles precisam sair porque não falam a nossa língua”, contou a assistente social.

Outros serviços, como verificação de pressão arterial; vacinação contra Influenza, Tríplice Viral e HPV; palestras educativas sobre saúde bucal, e testes rápidos de Sífilis, Hepatite B e C, HIV e Covid-19 também foram disponibilizados, além da gratuidade para retificação e 2ª via de certidão de nascimento; emissão da 2ª via do CPF; troca de lâmpadas; negociação de débitos e informações sobre CadÚnico (Cadastro Único).

Por meio do Projeto “Entre Elas”, o público feminino participa de algumas rodas de conversa sobre empoderamento e violência doméstica. A dinâmica tem dado excelentes resultados. “Eu passei por todos os tipos de violência com meu primeiro marido, e superei com muita conversa. Hoje eu procuro falar sobre isso pra ajudar outras mulheres. Gostei tanto da conversa que já quero sair daqui e fazer uma faculdade de Direito, pra lutar pelos direitos dos idosos e das mulheres que precisam”, declarou a dona de casa Angelina Lima, 46 anos.

Parceria – A iniciativa contou com o apoio da Prefeitura Municipal de Ananindeua, que contribuiu com médicos, enfermeiros e voluntários para proporcionar melhor atendimento aos moradores. “Essa parceria é importante porque a gente precisa garantir cidadania para a comunidade. Juntos conseguimos garantir os direitos através de consultas médicas e acesso à documentação não só da população urbana, mas também da população Warao atendida no Cras Curuçambá”, disse a secretária municipal de Assistência Social de Ananindeua, Marisa Lima.

O programa, executado pela Fundação ParáPaz, contou com a participação da Defensoria Pública, Polícia Civil, Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) e Equatorial Energia Pará.

Texto: Nathalia Mota/Parapz
Fotos: Divulgação

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