Pessoas com deficiência encontram no CIIR assistência, respeito e valorização

Pessoas com deficiência encontram no CIIR assistência, respeito e valorização

24 de agosto de 2021 Off Por Roberta Vilanova

O Centro de Inclusão e Reabilitação auxilia a reabilitação e combate o preconceito contra pessoas com deficiência

A abertura dos jogos paralímpicos de Tóquio, nesta terça-feira (24), ocorre em meio à Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, instituída pela Lei 13.585/2017, buscando a conscientização sobre as necessidades específicas de organização social e políticas públicas para inclusão e combate ao preconceito e à discriminação.

Celebrada entre os dias 21 e 28 de agosto, a semana debate o respeito às diferenças, destacando que pessoas com deficiência não são inferiores, e tem – como qualquer ser humano – habilidades e potencialidades. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 45 milhões de pessoas possuem dificuldade para ver, ouvir, se movimentar ou algum tipo de incapacidade mental, no Brasil. Uma parcela considerável da população que, muitas vezes, está reclusa em casa, por barreiras sociais e de acessibilidade.

No Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR), em Belém, essa realidade é modificada dia após dia. Desde o acolhimento até o diagnóstico e reabilitação, o respeito perpassa todo o processo e não se restringe aos usuários – envolve os familiares que são importantes agentes na construção da autonomia das pessoas com deficiência.

Letícia Miranda com o filho, Ícaro, atendido desde bebê no CIIR

Letícia Miranda, 23 anos, é estudante e mãe do Ícaro, de 2 anos, que recebe atendimento desde os primeiros meses de vida. “Ele tem paralisia cerebral e diplegia espástica. Aqui ele tem o convívio de ficar com outras crianças, é um ambiente feliz e alegre. Eu tiro forças para vir, mesmo cansada, tento não faltar, fico satisfeita de fazer isso por ele. Eu não sabia que ele gostava de bola, atividades de colar, pintar, ele é bem estimulado. Aprendi com ele a ter força de vontade. Ele tem alegria, força e coragem. Foi um recomeço na minha vida quando ele nasceu”, conta a mãe, emocionada.

O sentimento de quem convive com uma pessoa com deficiência vai além do romantismo clichê da superação. Não se trata de uma corrida ou uma escada a ser vencida. Ao contrário, as vitórias estão nas pequenas mudanças no dia a dia e, para quem consegue aproveitar, trazem grandes aprendizados de vida.

Maria do Carmo Ataíde, mãe da Pérola Maria Santos, destaca as conquistas da menina

“Uma vez estávamos no Gaspar Vianna e ela brincou com uma moça, que depois me falou que o ato havia salvado o dia que estava triste. Ela leva alegria para as outras pessoas”. Quem conta é Maria do Carmo Ataíde, a mãe da Pérola Maria Santos, 2 anos, que vive com um sorriso esboçado no rosto e tem diagnóstico de paralisia cerebral, cardiopatia congênita e síndrome do cromossomo invertido. “Todo dia é uma coisa nova, ela interage. Tem uma lida que cansa, mas é gratificante pois olhando para ela o tempo todo feliz. Ela já engatinha, senta. Eu sei que ela vai andar e falar, tem muita força de vontade”, acredita a mãe.

A coordenadora Thayana Paris Lucena.

Pérola e Ícaro tiveram sessão de estimulação precoce que usa música e outras atividades para crianças até 3 anos. Atualmente são cerca de 100 usuários que recebem o atendimento. “São crianças que, na maioria, não têm diagnóstico fechado mas apresentam atraso global de desenvolvimento neuropsicomotor. São atendidos por equipes multiprofissionais – como musicoterapeuta, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional e psicólogo – que tentam estimular várias habilidades, desde a comunicativa, cognitiva, motora e socioemocionais. O papel principal desse grupo é atuar com os pais, com a janela de oportunidade de zero a três anos, e eles precisam dar continuidade às terapias em casa” explica Thayana Paris Lucena, coordenadora de Reabilitação do Centro Especializado em Reabilitação VI (CER) e Núcleo de Atenção ao Transtorno do Espectro Autista (Natea).

O CIIR também oferece assistência para adultos, como é o caso da Fernanda Emily Pinto, 21 anos, cuja mentalidade é de uma criança de cinco, devido ao quadro de deficiência intelectual. “Desde que a Fernanda entrou aqui no CIIR a vida dela mudou muito. Ela faz esporte adaptado, psicologia. Eles dão muita atenção, o tratamento ajuda muito. A atenção, a coordenação motora e até mesmo a comunicação mudou. Eu só tenho a agradecer. Eu acho que ela está evoluindo. E meu objetivo é que ela seja mais independente”, deseja a mãe Núbia de Cássia Protázio Pinto, 39 anos.

O educador físico Reinaldo Ribeiro da Costa

Os esportes adaptados são opções oferecidas no CIIR – e que podem um dia revelar talentos como os paratletas que representam o Brasil em 20 modalidades, em Tóquio. “Utilizamos o esporte como inclusão, atendendo como terapia esportiva com a bocha, judô, halterofilismo (modalidade com levantamento de peso olímpico) e hoje já estamos colhendo frutos, com usuário que tem se destacado no esporte. Pelos relatos, às vezes a criança não tem perspectiva de nada e vai para a terapia O esporte abre novos caminhos, motiva também para o lado educacional”, comemora Reinaldo Ribeiro da Costa, educador físico do CIIR, responsável pelos esportes adaptados.

Serviço: O CIIR fica localizado na Rodovia Arthur Bernardes, 1.000. Os atendimentos exigem encaminhamento prévio da rede pública de saúde. Mais informações: 4042-2157/58/59.

Texto: Dayane Baía/Secom
Fotos: Pedro Guerreiro/Ag. Pará