Profissionais relatam sensação de dever cumprido após término da operação do Hospital de Campanha

Profissionais relatam sensação de dever cumprido após término da operação do Hospital de Campanha

15 de outubro de 2021 Off Por Roberta Vilanova

A desativação do Hospital de Campanha ocorre em um momento de baixa procura por leitos

Nos momentos finais de funcionamento do Hospital de Campanha do Hangar, em Belém, profissionais rememoram o desafio de trabalhar na linha de frente do combate à Covid-19 por um ano e meio. Para marcar o fechamento do espaço, o Governo do Estado promove, neste sábado (16), uma cerimônia ecumênica a partir das 17h, com transmissão ao vivo pelo canal oficial no YouTube.

A desativação do Hospital de Campanha ocorre em um momento de baixa procura por leitos. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), a taxa de ocupação da UTI é de 0%, enquanto que a de leitos clínicos é de 0,1%. Desde o início do mês de outubro, novos pacientes com sintomas de infecção por coronavírus são direcionados ao Centro Especializado em Atendimento Covid-19, localizado no Hospital Santa Terezinha, em Belém.

Profissionais da White Martins retiram equipamentos de oxigênio

Em funcionamento desde o dia 10 de abril de 2020, a unidade chegou a ter 420 leitos, tornando-se (no momento da inauguração), o maior hospital de campanha contra a Covid-19 do país. Além dos leitos, o Hospital de Campanha de Belém foi composto por postos de enfermagem, áreas específicas para higienização dos profissionais de saúde, estrutura para embarque e desembarque de pacientes, área de recepção para os familiares e banheiros. No total, 7.351 pacientes foram atendidos, dos quais 344 foram transferidos e 4.944 receberam alta.

Atuando na recepção, o porteiro Jocelio Fonseca falou sobre testemunhar chegadas e partidas marcadas pelo desejo de recuperação dos pacientes. “Sinto-me com a missão e o dever cumpridos. Passamos tempos muito difíceis, muitas tristezas; também alegrias, vimos muitas pessoas saindo curadas. Para mim foi uma experiência muito boa, foi muito prazeroso, conheci pessoas muito especiais, dedicadas. Funcionários que abdicaram de suas vidas fora da profissão e deram o seu melhor pelos outros. E, graças a Deus, estamos aqui para fechar o hospital. O sentimento é de gratidão. Demos o nosso melhor e nos sentimos gratos a Deus por estarmos vivendo esse momento”, relata Jocelio.

Para amparar o turbilhão de emoções, tanto pacientes quanto familiares, receberam assistência na Unidade, como conta a psicóloga Thayná Montenegro, que garante que o trabalho na unidade foi um divisor de águas na sua vida. “Eu acredito que seja um período de transformação. Existe uma Thayná antes de trabalhar no hospital de campanha e uma Thayná depois. São duas sensações: a de ver o paciente saindo, progredindo; e a de ver aquele paciente rebaixando, mas a gente continua lutando por todos. Eu diria que trabalhar aqui nesse período é uma sensação sem igual. Ver o paciente melhorar, as famílias se abraçando novamente, tocando o sino, é uma sensação que não dá pra descrever”, conta a psicóloga.

O sentimento é compartilhado pela enfermeira Tatiane Peniche, para quem o momento mais difícil foi no período do auge do contágio. “Tivemos uma sobrecarga muito grande de pacientes. Os médicos e toda a equipe multi precisaram se desdobrar e deu muito certo. Graças a Deus recuperamos muitas vidas, muitos pacientes voltaram para os seus lares. Tivemos momentos críticos, mas que Graças a Deus tivemos momentos de alegria”, relata a profissional.

 

Missão Cumprida – A cada alta, as equipes comemoravam. “Eram sempre felizes. Tenho muita gratidão por todas as altas que tivemos e que conseguimos. É um sentimento de dever cumprido, por concluir com mais uma vitória, mais um familiar que devolvemos para o seu lar”, acrescenta Tatiane.

Zbyeth Tadaiewsky, médica plantonista

A médica Zbyeth Tadaiewsky diz que o Hangar foi o maior desafio de sua vida. “Aqui nós lidamos com vidas, com pessoas que são amores de alguém. Tivemos muitas derrotas, mas tivemos muitas vitórias também. Cada vitória, cada sino batido, o coração fica de uma maneira inexplicável. Eu sou muito grata por ter entrado aqui. Eu sempre falo, que é uma escola, todos nós aprendemos. É uma doença desconhecida, tudo era muito novo. Como tratar? Como lidar? Muitas vezes nós íamos no sentimento, vamos fazer desse jeito, vamos fazer dessa forma. E a cada dia, em equipe, nós temos uma equipe multi muito boa, muito acolhedora, então nós aprendemos muito juntos. E isso foi muito gratificante, está sendo até hoje. E poder iniciar esse trabalho e ver a finalização dele, é algo inexplicável. Ver tantas vidas, tantas famílias com sorriso e agradecimento, não tem preço, é impagável, é inexplicável”, desabafa a profissional.

Pela importância da unidade na vida de todos que passaram por lá, seja para cuidar ou para serem cuidados, o encerramento das atividades não poderia passar em branco. No próximo sábado (16), o Governo do Pará realiza uma cerimônia ecumênica, com o apoio das Secretarias Estaduais de Cultura (Secult), de Comunicação (Secom), de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), de Turismo (Setur), do Ideflor-bio e da Pará 2000.

O evento será às 17h, com a presença do governador do Estado, Helder Barbalho, e de profissionais de Saúde que atuaram no Hangar durante o combate ao auge da pandemia da Covid-19. A programação será aberta ao público, com acesso pelo estacionamento do Hangar, e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube do Governo do Pará.

Texto: Dayane Baía/Secom

Fotos: Jader Paes/Ag. Pará