Sespa estimula ações educativas e preventivas para conter as leishmanioses

Sespa estimula ações educativas e preventivas para conter as leishmanioses

10 de agosto de 2021 Off Por Roberta Vilanova

Mosquitos transmissores da leishmaniose

Em alusão à Semana Nacional de Controle e Combate às Leishmanioses, que vai de 10 a 17 de agosto, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) lembra que tem estimulado ações educativas e preventivas para conscientizar as gestões dos 144 municípios paraenses sobre leishmanioses, com o objetivo de colocar em prática as políticas públicas de vigilância e controle da zoonose e alertar a população para os riscos e cuidados com a doença.

Essas medidas são necessárias para conter a transmissão dos dois tipos da doença: a visceral, popularmente conhecida por calazar, que se não for tratada a tempo, pode levar à morte. A transmissão acontece quando fêmeas picam cães ou outros animais infectados e depois picam o homem, transmitindo o protozoário Leishmania chagasi.

A doença não é contagiosa e nem se transmite diretamente de uma pessoa para outra, nem de um animal para outro e nem dos animais para as pessoas. A transmissão do parasita ocorre apenas através da picada do mosquito fêmea infectado. As principais vítimas são as crianças e os idosos. Os cães também podem ser afetados. Os principais sintomas da doença são febre de longa duração; aumento do fígado e baço; perda de peso; fraqueza; redução da força muscular e anemia.

A do tipo tegumentar ou cutânea é uma doença infecciosa, não contagiosa, transmitida por diversas espécies de protozoários do gênero Leishmania, que acometem o homem e provocam úlceras na pele e nas mucosas das vias aéreas superiores.

Já os principais sintomas da leishmaniose tegumentar são feridas (úlceras) na pele que não cicatrizam. Se não houver cuidado médico, a parte afetada pode ficar com cicatrizes ou evoluir pra deformidades. “Com o aparecimento dos sintomas, a principal orientação é não se automedicar e sim procurar a unidade de saúde para ser avaliado por um profissional de saúde e realização de exame para o diagnóstico da doença”, orienta a coordenadora do Programa Estadual de Controle das Leishmanioses, Monica Fadul.

Em se tratando de casos, a do tipo visceral registrou, em 2020, um total de 228 casos confirmados em todo o Pará. Neste ano, o número foi de 88 até o momento. A do tipo tegumentar registrou, no ano passado, 3.162 casos e, em 2021, mais 1.193 confirmações.

Armadilha para captura de mosquitos para análise

Para o controle da doença no Estado, a equipe técnica da Coordenação de Leishmanioses da Sespa presta assessoria técnica aos Centros Regionais de Saúde e municípios, para o repasse de protocolo de diagnóstico e tratamento a médicos e enfermeiros, bem como desenvolve capacitações para as Secretarias Municipais de Saúde para o manejo de medicamentos destinados ao tratamento da doença, dos testes rápidos enviados pelo Ministério da Saúde (MS) para a detecção da Leishmaniose Visceral humana e canina, e vigilância e controle dos agravos.

Os agentes de endemias das secretarias municipais de Saúde são  treinados pela Coordenação de Entomologia da Sespa para monitorar os flebotomíneos, que são os insetos transmissores das leishmanioses. Os treinamentos são realizados conforme a demanda dos municípios com maiores incidências de casos.

O diagnóstico da leishmaniose é realizado por meio de exames clínicos e laboratoriais e, assim como o tratamento com medicamentos, deve ser cuidadosamente acompanhado por profissionais de saúde. Sua detecção e tratamento precoce devem ser prioritários, pois ela pode levar à morte.

“A Sespa, por meio da nossa coordenação, tem canal aberto com todos os municípios, incluindo os profissionais de saúde, para eventualidades e solução de dúvidas”, explica Monica Fadul.

Análise laboratorial das amostras de mosquitos

Entre as estratégias de prevenção às leishmanioses estão orientações educativas em escolas e comunidades que residem nas áreas de risco. Outras medidas importantes são manter sempre limpas as áreas próximas às residências e os abrigos de animais domésticos; realizar podas periódicas nas árvores para que não se criem os ambientes sombreados; além de não acumular lixo orgânico, objetivando evitar a presença mamíferos comensais próximos às residências, como marsupiais e roedores, que são prováveis fontes de infecção para os flebotomíneos.

Não há vacina contra as leishmanioses humanas. As medidas mais utilizadas para a prevenção e o combate da doença se baseiam no controle de vetores e dos reservatórios, proteção individual, diagnóstico precoce e tratamento dos doentes, manejo ambiental e educação em saúde.

Texto: Mozart Lira/Sespa

Fotos: José Pantoja/Sespa