Sessões de hemodiálise no Abelardo Santos garantem qualidade de vida a centenas de pacientes

Sessões de hemodiálise no Abelardo Santos garantem qualidade de vida a centenas de pacientes

9 de novembro de 2021 Off Por Roberta Vilanova

Josenildo Lopes, de 48 anos. passa por sessão de hemodiálise desde 2020

Há seis anos, transitar por Belém era uma das maiores satisfações para o motorista de ônibus Josenildo Siqueira Lopes, de 48 anos. Atualmente, para ele, percorrer um percurso de menos de 10 quilômetros, entre sua casa, na avenida Augusto Montenegro, e o Hospital Regional Dr. Abelardo Santos (HRAS), na mesma via, já localizado no distrito de Icoaraci, é um desafio. “É puxado, um dia a dia duro, com muitas dificuldades, mas, sei que é nesse trajeto feito três vezes na semana, que busco a minha sobrevivência”, relatou.

O rodoviário aposentado é um dos pacientes do Programa de Terapia Renal Substitutiva (STRS) do Abelardo Santos. Desde 2020, ele lida, periodicamente, com as sessões de hemodiálise, que para ele, são fundamentais para a manutenção de sua vida.

“Descobri a doença quando meus pés começaram a inchar. Após uma avaliação médica, recebi indicação para diálise. Nossa, foi um susto! O segundo desafio foi encontrar um lugar bom, com pessoas atenciosas e humanas. Até que fui encaminhado para o Abelardo Santos e nunca faltei um dia. Estar aqui é um dia a mais de vida ao lado da minha família”, afirmou o paciente.

“Renascimento” – Carlos Alberto Ferreira, de 68 anos, também está periodicamente nas sessões de hemodiálise. Com uma rotina de desafios e cuidados redobrados com a saúde, ele faz questão de manter o bom humor e agradecer pelo tratamento. “Isso aqui me faz renascer todos os dias. Se não fosse a hemodiálise, já teria partido”, disse o morador de Outeiro, também distrito de Belém. Carlos é proprietário de uma loja de móveis, mas com o tratamento, pouco está à frente dos negócios, e após a doença, leva uma rotina mais tranquila dentro de casa.

“A nossa lojinha fica na porta, mas hoje, quem toma conta é minha mulher com os filhos”, ressaltou.

Durante os dois anos em que é atendido no HRAS, um período em particular não sai da memória de Carlos. Diabético, ele quase não sente os pés, e um pequeno acidente quase o leva à amputação do membro. “Lembro que bati, começou a inchar e, em casa, fiz um curativo. Não procurei ajuda, mas a cada dia, ficava pior. Aqui na sessão, a médica observou. Perguntou o que era. Ela tirou a faixa e quando viu o ferimento, disse que eu iria ser internado. Fiquei 21 dias no hospital, achei que seria mais difícil: não foi. Tive um tratamento digno, me senti uma pessoa amada pelos profissionais que fizeram de tudo para eu me recuperar”, agradeceu o paciente.

osenildo Lopes e Carlos Alberto Ferreira são alguns dos 96 pacientes que fazem as sessões de hemodiálise do Abelardo Santos, referência da Rede Estadual de Saúde em Nefrologia

Atendimentos – Josenildo e Carlos são alguns dos 96 pacientes que fazem as sessões de hemodiálise do Abelardo Santos, referência da Rede Estadual de Saúde em Nefrologia. No período de janeiro a setembro de 2021, foram realizadas 12.537 sessões de terapia renal na instituição.

“Esses pacientes são regulados pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) ou os que passaram por tratamento nos rins no HRAS e são indicados para hemodiálise. A clínica funciona de segunda a sábado, de 5h30 às 20h, com a capacidade de atender até 22 pessoas em cada um dos três turnos – manhã, tarde e noite. Além disso, o HRAS também oferece a hemodiálise para pacientes internados em leitos clínicos e nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs)”, explicou Lucineia Veloso, supervisora do setor.

O diretor médico do Abelardo Santos, Paulo Henrique Ataíde, observou que o tratamento é fundamental para manter a vida dos renais crônicos.

“A máquina da hemodiálise limpa e filtra o sangue, ou seja, faz parte do trabalho que o rim doente não pode fazer. O tratamento libera o corpo dos resíduos prejudiciais à saúde, como o excesso de sal e de líquidos. Também controla a pressão arterial e ajuda o corpo a manter o equilíbrio de substâncias como sódio, potássio, ureia e creatinina. Ele é fundamental para manter a vida desses pacientes”, detalhou o médico.

Terapia – Durante o procedimento, a unidade oferta wi-fi, alimentação, além do serviço de fisioterapia para amenizar os incômodos dos pacientes. “Temos uma equipe de profissionais altamente qualificados. Além dos médicos, enfermeiros e técnicos, contamos com a equipe multiprofissional com o recurso da fisioterapia e da nutrição, por exemplo. Os assistentes sociais também fazem parte deste acompanhamento. Além da hemodiálise, o HRAS também tem a diálise peritoneal. “Nossa perspectiva é que o serviço se amplie e a terapia salve muitas vidas”, enfatizou Marcos Silveira, diretor executivo do Abelardo Santos.

Rede Estadual – Para a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa), o HRAS tem se destacado pela ampliação e qualificação dos seus serviços. “A unidade de alta complexidade tem investido em profissionais, tecnologia e, claro, no trabalho de humanização, para levar mais qualidade no tratamento das pessoas que tanto precisam de um serviço de qualidade. A unidade, além de criar recursos para minimizar o sofrimento dos dialíticos, avança na diálise peritoneal, sobretudo, para os pacientes do interior do estado”, parabenizou Rômulo Rodovalho, titular da Sespa.

A doença renal crônica (DRC) é uma das principais causas de morte no Brasil, com 40 mil novos casos ao ano. Atualmente, o país soma mais de 140 mil pacientes em tratamento renal crônico, sendo 85% com terapia financiada através do SUS. No Pará, além do Abelardo Santos, mais 11 hospitais possuem o tratamento. São eles o Hospital de Clínicas Gaspar Vianna, Hospital Ophir Loyola, Santa Casa de Misericórdia do Pará, Hospital da Divina Providência, Hospital Santo Antônio Maria Zaccaria, Hospital São Francisco, Hospital Regional do Baixo Amazonas, Hospital Regional Público da Transamazônica, Hospital Regional Público do Araguaia, Hospital Regional Público do Marajó e Hospital Regional de Marabá.

Texto: Roberta Paraense/HRAS

Fotos: Ascom/HRAS