Aumento de diabetes em crianças deve acender alerta para os pais

Aumento de diabetes em crianças deve acender alerta para os pais

14 de novembro de 2021 Off Por Roberta Vilanova

O Dia Mundial do Diabetes, lembrado em 14 de novembro, é momento para fazer alerta aos sinais e riscos dessa doença em crianças e adolescentes, principalmente com o consumo de uma alimentação pouco saudável e as mudanças de comportamento ocasionadas pela pandemia.

Criada em 1991 pela Federação Internacional do Diabetes junto com a Organização Mundial da Saúde para conscientizar sobre os efeitos desse mal para a população, a data reforça que não somente adultos estão sujeitos à doença, mas também crianças e adolescentes.

De acordo com o Atlas Diabetes 2021, houve um grave aumento de casos da doença este ano. Em 2019, 95.500 meninos e meninas com menos de 20 anos foram diagnosticados com o diabetes no Brasil. Na comparação global, o país é o terceiro no mundo com mais casos nessa faixa etária, perdendo apenas para Estados Unidos e Índia.

Há vários tipos de diabetes, mas o tipo 2 e o tipo 1 são os mais comuns. O tipo 2 é causado por hábitos alimentares inadequados; e o tipo 1 tem causas genéticas e aparece na maior parte dos diagnósticos da doença em crianças. É importante prestar atenção a sinais de diabetes em crianças ressaltando que hábitos alimentares ruins incentivados pela rotina familiar e/ou pelo confinamento da pandemia contribuem para casos de obesidade e hiperglicemia infantil.

Além da diabetes infantil, é importante lembrar também que gestantes precisam ficar atentas à própria saúde, já que a doença pode surgir durante a gestação. Há ainda o fato de que diabetes é uma comorbidade que afeta o quadro de quem é infectado por Covid-19, que, embora esteja mais controlada graças à vacinação, ainda é responsável pela pandemia em andamento.

Diabetes infantil – A médica Ana Cristina Alves, gerente da pediatria da Fundação Santa Casa, diz que o hospital oferece 22 leitos em pediatria clínica, com atendimento às crianças acometidas de doenças variadas. Não existe leito exclusivo para o diabetes. Portanto, não existe uma estatística específica. Ela explica que crianças que dão entrada com hiperglicemia, não significa que tenham diabetes.

Ela faz um alerta geral sobre o consumo alimentar que pode desencadear obesidade infantil e até diabetes. “A facilidade dos fastfood ou dos shoppings ou delivery interfere muito na alimentação adequada e nos horários adequados. Muitas vezes quando nem se tem esse olhar, na peculiaridade da família, acontece os atropelos na dieta adequada dessa criança. É uma criança mais do fastfood, é uma criança mais do delivery, interferindo muito na quantidade de ingestão de proteínas, carboidratos e vitaminas de modo geral”, explica.

Segundo Ana Cristina Alves, essa interferência já pode ser sentida nessas novas gerações. “É a geração do shopping, da pizza, do hambúrguer. Esse olhar da qualidade da alimentação da família é muito importante. A criança sempre vai ser o espelho da família. Se eu tenho uma família que come muito, que não tem limite de horário, que vai misturando e atropelando as coisas, essa criança vai seguir o mesmo ritmo”, alerta a pediatra.

Dados – A médica endocrinologista pediátrica Darcilene Nunes relata que o diabetes mais comum na faixa etária pediátrica é o Diabetes Mellitus tipo1 (DM1), corresponde a cerca de 10% do total de números de diabetes mellitus de todas as causas.

O surgimento da pandemia de Covid-19 teve um impacto importante no comportamento das famílias, pois elas procuraram menos os setores de atendimento pediátrico. É observado o aumento do diagnóstico do diabetes mellitus 1, em formas de descompensação mais grave com cetoacidose diabética, chegando a mais de 50% em alguns serviços.

Além disso, estudos sugerem que a própria Covid-19 pode atuar como um gatilho responsável por mais casos de DM1 em comparação com os quadros diagnosticados nos últimos cinco anos.

Em uma recente pesquisa feita pela Sociedade Brasileira de Pediatria, a mudança comportamental que a pandemia trouxe levou a uma maior permanência em casa, com menos atividade física nas escolas e ao ar livre, mais tempo em telas e aumento de consumo de alimentos, especialmente industrializados o que levou a um maior ganho de peso nas crianças, que correm risco de desenvolver obesidade, síndrome metabólica, diabetes mellitus tipo 2, gordura no fígado e hipertensão.

Estimativas da Organização Mundial da Saúde mostram que em 2025 poderão existir 75 milhões de crianças obesas no planeta. No Brasil os registros do IBGE indicam que uma em cada três crianças, entre cinco e nove anos, está acima do peso.

Segundo o Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional, em 2019, 16,33% dos brasileirinhos entre cinco e dez anos estavam com sobrepeso; 9,38% com obesidade; e 5,22% com obesidade grave. Nos adolescentes, 18% tinham sobrepeso; 9,53% obesidade; e 3,98% obesidade grave.

“A grande preocupação é que haja um melhor controle dos fatores de risco para sobrepeso e obesidade infantil a fim de evitar que no período pós-pandemia o número de crianças com essa condição supere as previsões”, pondera a médica.

Diabetes em grávidas – A ginecologista e obstetra Marília Gabriela Queiroz, gerente da Tocoginecologia da Fundação Santa Casa, relata que uma mulher pode desenvolver diabetes durante a gestação, que costuma surgir depois da 24ª semana. “A gente pode prevenir a diabetes, evitando que a gestante ganhe muito peso durante a gravidez, com uma dieta adequada, inclusive é possível realizar determinadas atividades físicas durante a gravidez, o que também ajuda a prevenir a diabetes”, detalha.

A relação entre a Covid-19 e a diabetes, é que a gravidade e a mortalidade são mais frequentes na pessoa com diabetes. “É um fator de risco para a doença grave, quando a paciente tem essa doença, seja na gestação ou fora dela. E a própria gravidez já é um fator de risco para a Covid. Se associar a outras comorbidades, o risco aumenta”, ressalta Marília Gabriela.

*Com colaboração da ascom da Fundação Santa Casa do Pará

Texto: Carol Menezes/Secom