Em Belém, Hospital de Campanha do Hangar começa a ser desativado

Em Belém, Hospital de Campanha do Hangar começa a ser desativado

14 de outubro de 2021 Off Por Roberta Vilanova

O Hospital foi aberto em 10 de abril de 2020 pelo governo estadual, inicialmente com 420 leitos exclusivos para a Covid-19

Já está em andamento o processo de remoção dos leitos e demais materiais que compuseram as instalações do Hospital de Campanha do Hangar, uma das estratégias mais importantes no processo de enfrentamento à pandemia no Pará.

O Hospital foi aberto em 10 de abril de 2020 pelo governo estadual, inicialmente com 420 leitos exclusivos para a Covid-19 na regulação. Hoje, após 18 meses de funcionamento, apenas um paciente segue internado em tratamento no local. No próximo sábado (16), uma cerimônia oficial e ecumênica confirma o encerramento das atividades e início da retomada do perfil original do complexo – processo esse que só deve ser concluído em 2022. Em um ano e meio de funcionamento, o HC Hangar salvou 4.944 vidas.

“É fundamental que nós possamos reconhecer a importância deste equipamento, que se transformou em referência no enfrentamento à Covid-19. O momento é de agradecer a Deus, de se solidarizar e ter empatia com aqueles que perderam entes queridos, e também de festejar a vida daqueles que venceram”, anunciou o governador Helder Barbalho em vídeo postado nas redes sociais confirmando a desativação da unidade hospitalar. Belém, Bragança e Parauapebas já contam com unidades especializadas para o tratamento da doença, e o Governo do Pará deve seguir criando espaços exclusivos e específicos nas demais regiões.

Entregue em 10 de abril para atender casos de baixa e média complexidade de pacientes da Região Metropolitana de Belém e a demanda das regiões nordeste e Marajó Oriental, o Hospital de Campanha chegou a ter todos os seus leitos sendo de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Em janeiro deste ano, foram abertos 40 novos leitos para receber pacientes vindo do Amazonas, que à época enfrentava problemas no abastecimento de oxigênio na rede hospitalar.

“Desde o início da pandemia o nosso papel é garantir o acesso e o melhor atendimento na Saúde Pública do Estado e o Hospital de Campanha do Hangar foi estratégico para conseguirmos salvar tantas vidas. Nossos profissionais foram sempre incansáveis em suas atividades e para nós é um orgulho muito grande encerrar essa etapa. Obrigado a todos que estiveram na linha de frente e ajudaram a salvar mais de 5 mil vidas”, reconhece o titular da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), Rômulo Rodovalho.

Em um ano e meio de funcionamento, o HC Hangar salvou 4.944 vidas

A unidade também passou a oferecer apoio psicológico a pacientes, além de atividades terapêuticas, como oficinas de artesanato e musicoterapia. A psicóloga Thayná Montenegro trabalhou na equipe multiprofissional do Hangar em seus últimos seis meses de funcionamento, a partir de um momento de alta no número de internações.

“As pessoas chegavam aqui com muita ansiedade e muito medo da evolução da doença, se ia agravar, se as comorbidades iriam piorar o quadro. E a gente ia trabalhando pela escuta, pela avaliação, pelo contato com a família por videochamada. O tratamento aqui é uma tríade composta por equipe, família e paciente. A gente vai sair daqui com um sentimento de dever cumprido, e de alegria mesmo, por termos ajudado a devolver tanta gente de volta para suas casas”, relata.

Simone Costa, assistente Social do Hangar

A assistente social Simone Costa, que trabalhou no Hangar desde sua abertura, lembra aliviada e emocionada dos momentos críticos enfrentados. “Gratidão por tantas vidas salvas, porque passamos por situações delicadas, principalmente com as famílias dos pacientes, que eram nosso público-alvo no processo de hospitalização. Falávamos esses dias sobre o tamanho da importância da construção desse trabalho do Hospital de Campanha, desse espaço, feito como algo tão urgente, bem no início da crise. Poderia ter sido bem catastrófico se não fosse toda essa estrutura”, admite a profissional.

Números  – Ao abrir, a unidade contava com 260 leitos de enfermaria e 160 UTI. No momento em que as atividades forem encerradas, estará com 160 leitos em funcionamento, sendo 80 de enfermaria e 80 de UTI. Foram mais de 1,5 mil profissionais atuando, entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, psicólogos, entre outros.

Texto: Carol Menezes/Secom

Fotos: Jader Paes/Ag. Pará