Especialistas alertam para o registro de mais de 1.700 casos de câncer de pele neste ano, no Pará

Especialistas alertam para o registro de mais de 1.700 casos de câncer de pele neste ano, no Pará

16 de julho de 2021 Off Por Roberta Vilanova

Dermatologista Simone Carvalho

Julho é o mês de altas temperaturas no Norte e Nordeste do Brasil. Com os dias mais quentes e ensolarados, a procura por praias e balneários cresce. Por isso, os cuidados com a pele devem ser redobrados, devido aos danos causados pelos raios UVA e UVB, como o câncer de pele. A doença é o tipo de tumor maligno mais incidente na população brasileira, corresponde a 30% dos casos de tumores não-melanoma e o melanoma representa apenas 3% das neoplasias malignas no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde.

O Instituto Nacional do Câncer (Inca) aponta que mais de 180 mil novos casos de câncer de pele são registrados anualmente no país. E para o Pará prevê mais de 1.700 casos novos em 2021, dos quais 920 em mulheres e 790 em homens, incluindo o melanoma, tipo menos frequente dentre todos os cânceres da pele, com o pior prognóstico e o mais alto índice de mortalidade.

No Hospital Ophir Loyola, Centro de Alta Complexidade em Oncologia, existem 446 pacientes em tratamento contra a neoplasia. Em relação ao ano de 2020, este ano houve um aumento de 50% no número de atendimentos para este tipo de neoplasia devido à redução no número de comparecimentos, ocasionada pela pandemia da Covid-19, porém, o fluxo já está normalizado.

Maria Valmira Monteiro, 73 anos

Cuidados – A aposentada Maria Valmira Monteiro, 73 anos, é moradora de Macapá. A cidade é conhecida pelo clima quente e verão prolongado com temperaturas máximas de 33ºC. Há 24 anos, ela foi submetida a uma cirurgia para retirar os danos nos lábios, causados pela exposição solar, pois pegava sol de forma constante sem os cuidados necessários com a pele. Após um período, o câncer voltou e ocorreu a piora ocasionada pela perda de alguns membros da família por Covid-19. O estresse emocional acentuou as lesões no rosto.

“Minha pele está irritada, estou com uma sensação de queimação que incomoda muito. Trabalhei muitos anos no sol, sem qualquer proteção e hoje enfrento as consequências. Tem que ter cuidado com o sol, pois é um veneno para a pele. Quem puder se cuidar, procure evitar a exposição excessiva para não sofrer”, disse a idosa.

Segundo a especialista em dermatologia do HOL, Simone Bentes, todos os tipos de pele necessitam de cuidados diários, independente da estação do ano, mas que devem ser redobrados no verão “para evitar queimaduras dolorosas, vermelhidão e danos irreversíveis como o fotoenvelhecimento e as sequelas de um câncer de pele”.

A especialista explica que o câncer de pele é o crescimento anormal e descontrolado de células que compõem a pele. Pode surgir em qualquer parte do corpo, principalmente aquelas que ficam mais expostas ao sol, como rosto, braços e orelhas. “É mais comum em pessoas com mais de 40 anos, peles claras e que se expõem ao sol sem proteção”, alerta a médica.

Diagnóstico – Há três tipos de câncer de pele, dois são não-melanomas. O carcinoma basocelular é o menos agressivo e mais comum, aparece nas células basais localizadas na camada mais profunda da pele, em forma de uma mancha rosa brilhante e de crescimento lento e de fácil sangramento. Enquanto o carcinoma espinocelular é o segundo não-melanoma mais comum, afeta principalmente os homens, surge na forma de caroços ou feridas vermelhas, descama e forma hematomas com crostas ou verrugas. Já o melanoma maligno é o tipo mais perigoso, aparece como uma mancha escura na pele que se deforma com o tempo e é mais comum em adultos brancos.

O diagnóstico é realizado por meio de exames clínicos e laboratoriais das lesões, além da dermatoscopia, exame que possibilita visualizar as estruturas da pele de forma ampliada e a biópsia, retirada de um fragmento para análise com o intuito de confirmar as características de malignidade.

Simone Carvalho enfatiza que o tratamento para o câncer de pele deve ser iniciado o mais breve possível a fim de aumentar as chances de cura. A especialista ressalta que o tratamento é decidido conforme o tipo, grau da doença e estado geral do paciente. A duração também varia do tipo histológico das áreas acometidas, quantidade das lesões, geralmente os pacientes são acompanhados por longos períodos.

“Em lesões mais superficiais são utilizadas medicações quimioterápicas tópicas, ou seja, aplicadas diretamente sobre a pele, em pomada ou creme. Utilizamos também a crioterapia que é um processo terapêutico baseado no tratamento de lesões pelo resfriamento ou cirurgia para retirada do tumor. Para alguns tipos de tumores como o melanoma é necessário também a realização de quimioterapia”, explica.

Cuidados para se proteger dos raios ultravioletas 

– Evite exposição solar entre 10h e 16h;

– Use protetor solar com fator acima de 30 meio hora antes da exposição solar, principalmente no rosto, mãos, braços e pescoço e áreas com cicatrizes;

– Reaplique o produto a cada duas horas durante o lazer ou prática de exercícios ao ar livre;

– Use acessórios, como camisas com proteção UV, óculos de sol e boné.

Serviço:  para dar início ao tratamento no Hospital Ophir Loyola , os pacientes devem ser encaminhados com a biópsia comprovando câncer de pele pela Unidade Básica de Saúde ou Secretaria Municipal de Saúde do Município de origem via sistema de regulação.

Durante a primeira consulta no hospital, o especialista vai definir a conduta terapêutica conforme o tipo e extensão da doença e, dependendo da gravidade da situação a exemplo de lesões mutilantes ou desfigurantes, o paciente poderá ser encaminhado para outras especialidades como cirurgia plástica ou cirurgia de cabeça e pescoço para dar continuidade ao tratamento.

Texto: Viviane Nogueira/HOL

Fotos: Divulgação