Grupo do Hospital Abelardo Santos conscientiza população para doação de sangue durante a pandemia

Bolsas de sangue coletadas no HRAS

Uma iniciativa solidária dentro do Hospital Regional Dr. Abelardo Santos (HRAS), no distrito de Icoaraci, em Belém, vem ajudando na tarefa de conscientizar potenciais doadores de sangue para a captação nesse período de pandemia. No ano passado, foi criado no hospital o grupo “Amigos do Sangue” com a proposta de melhorar a captação de doadores para ajudar a manter os estoques.

“Nós temos várias ações: a captação diária, junto ao acompanhante e os familiares dos pacientes; outra atividade do grupo são as caravanas em empresas parceiras ou mesmo dentro do hospital, com os usuários e colaboradores. E, também, fazemos as campanhas internas de doação, inclusive, estamos programando a próxima para julho ou agosto”, adiantou a hematologista Iê Bentes.

Por mês, são realizadas cerca de 250 transfusões de sangue no HRAS, que mantém uma Agência Transfusional que atende os 340 leitos da unidade, UTIs e UCIs, além do bloco cirúrgico e Unidades de Urgência e Emergência. Para atender esta demanda que indica uma tendência de crescimento nos próximos dias, a unidade deve captar ao menos, 50% deste quantitativo transfundido, em doadores, para enviá-los à Fundação Centro de Hematologia e Hemoterapia do Pará (Hemopa). Com a pandemia do novo coronavírus, a frequência desses doadores reduziu, e por isso, a tarefa de captação tem se tornado ainda mais desafiadora.

Com a retomada das cirurgias eletivas, a introdução de novas especialidades e de procedimentos cirúrgicos, o Hospital Abelardo Santos já sente a necessidade da ampliação do estoque para atender os usuários da unidade. No Dia Mundial do Doador, comemorado nesta segunda-feira (14), os profissionais da instituição pedem para que a população continue doando mesmo diante ao cenário pandêmico que o mundo está atravessando.

Doação na pandemia – A hematologista da Agência Transfusional do Abelardo Santos, Dra. Iê Bentes, alerta para a necessidade, já que muitos pacientes hematológicos, oncológicos, cirúrgicos, politraumatizados, dentre outros, precisam desta doação para manter a sobrevivência. “Se a pessoa tiver de sair de casa, se proteja. Para a doação de sangue também. No contexto da pandemia da Covid-19, é importante destacar que: se a pessoa já teve esta doença, precisa estar há pelo menos 30 dias assintomático. Se tiver um contato com alguém que tenha a doença, precisa estar pelo menos há 14 dias fora deste contato para doar”, ressaltou Bentes.

A especialista acrescentou ainda que o ideal é doar antes de ser vacinado, entretanto, se o doador já tiver sido imunizado, por exemplo, com a Coronavac, precisa estar pelo menos há 48 horas pós-vacina para a doação. Se forem os imunizantes da Oxford/ AstraZeneca/ Pfizer, é necessário estar há pelo menos sete dias pós-vacina para o procedimento.

Desafios – Na data instituída pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para lembrar da importância da conscientização quanto à necessidade da doação de sangue, a hematologia ressaltou que a tarefa de provocar a doação é desafiadora. “Temos meta de captação definida pelo Hemopa para os hospitais. Por mês, temos de enviar 50% do que usamos, portanto precisamos encaminhar ao Hemopa pelo menos 125 doadores mensais. Parece fácil, mas não é. Com a pandemia, a doação teve uma baixa no mundo todo”, frisou Iê Bentes.

A especialista ainda aponta que esta data, é, sobretudo, importante para conscientizar a população em geral. “Hoje é o Dia Mundial do Doador de Sangue. Este que faz total diferença na vida de outra pessoa. O sangue não pode ser comprado ou vendido, portanto, dependemos da boa vontade de alguém. Ainda hoje há ‘falta’ de sangue mesmo existindo muitas campanhas para conscientização da população para esta causa tão nobre. Neste mês, o movimento Junho Vermelho visa chamar atenção para esta necessidade”, finalizou Iê Bentes.

Agência Transfusional funciona dentro tem papel importante no Hospital

Agência – O Hospital Abelardo Santos mantém uma Agência Transfusional que atende os pacientes dos 340 leitos da Unidade. “O nosso estoque é reposto nas segundas, quartas e sextas-feiras. Temos como manter concentradas as hemácias e os plasmas. Fazemos também na Agência, os exames de tipagem e de anticorpo irregular. Outro trabalho realizado por nós são fracionamentos de bolsas de sangue para os recém-nascidos (RN), de acordo com a necessidade de cada um”, reforçou o biomédico da Agência Transfusional do HRAS, Caio Henriques.

O setor conta com 16 profissionais, alocados em plantões. “Aqui no HRAS, fazemos as campanhas de captação de doadores devido a necessidade que temos para atender todos os nossos usuários. Porém, encaminhamos essas pessoas, com o nosso código de referência, ao Hemopa. É a própria Fundação que faz o fracionamento e encaminha as bolsas para o hospital. A nossa Agência gerencia, uma vez que o sangue chega aqui, todas as etapas relacionadas à transfusão, como a estocagem das bolsas de sangue e hemocomponentes, sua reserva e distribuição para uma unidade solicitante”, finalizou o diretor técnico do Abelardo Santos, Paulo Henrique Ataíde.

Texto: Roberta Paraense/HRAS
Fotos: Divulgação

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